janeiro 31, 2006

As voltas que dá uma Carta ao Director

A mais recente edição da Columbia Journalism Review brinda-nos com uma magnífica imagem - ilustrada - das voltas e mais voltas que pode dar uma 'Carta ao Director' de uma publicação antes de esta aparecer em público.
O caso envolve a reputada revista New Yorker e uma escritora, Valerie Lawson, e é, à sua maneira, um exemplo da cristalização de algumas ideias perigosas entre jornalistas e responsáveis editoriais: 'o nosso trabalho é intocável', 'só se queixa quem quer publicidade gratuita', 'o trabalho vale menos se parecer que nem toda a investigação é original'.
Felizmente cada vez mais raras, estas ideias também fazem parte da resposta à pergunta: porque confiam as pessoas menos no jornalismo tradicional?

Publicado por lasantos em janeiro 31, 2006 09:39 PM | TrackBack
Comentários

O que sustenta a afirmação "porque confiam as pessoas menos no jornalismo tradicional"?

Afixado por: PedroF em fevereiro 1, 2006 10:27 AM

Pedro,

Não é uma afirmação, é uma pergunta. Partirá, naturalmente, de uma hipótese (fundada, essa sim, num juízo de valor), mas não deixa apenas campo aberto à validação. Há sempre espaço, num questionamento, para a negação de si mesmo.

A pergunta, no entanto, fez-me perceber uma falha (e, por isso, agradeço o comentário), que agora tento corrigir: a frase deveria ter sido complementada com a expressão "como fonte exclusiva de informação". Admito, neste particular, a falta de clareza (presumir que quem lê sabe o que me passa pelo meu espírito quando escrevo é um erro; mais grave no jornalismo, mas também grave aqui nos blogs).
Posto isto, avanço uns sinais sobre o meu ponto de partida:
- Os picos de vendas (jornais) e audiências (rádio e tv) parecem já ter sido atingidos; assistimos a um cenário de fragmentação de 'atenções';
- os espaços deixados em aberto pelos media tradicionais (nomeadamente ao nível do contacto mais directo com as pessoas) começaram, entretanto, a ser preenchidos por fórmulas de acesso à informação alternativas e isso não deverá parar;
- as pessoas aperceberam-se destas alterações e, recorrendo ao que a tecnologia lhe permite, alteraram os seus comportamentos - "informar-me" significa, hoje, algo muito diferente do que significava há menos de uma década.

Não queria alongar-me na resposta. Acho que explicitei melhor o ponto de partida para a pergunta que formulei. Pelo menos, tentei.
Abraço,

Afixado por: lasantos em fevereiro 1, 2006 11:30 AM

Ou seja, o "jornalismo tradicional" (ou, simplesmente, jornalismo) pode continuar a existir nesses diferentes meios. O que muda é o suporte.
Abs

Afixado por: PedroF em fevereiro 1, 2006 11:42 AM

Pedro,
Pode e deve.
Mas vai ter que mudar procedimentos e atitude.
Porque o "jornalismo" já não vai ser o mesmo e, sobretudo, não vai ser território exclusivo.
Isso - note-se - é um desenvolvimento que considero muito positivo (para o jornalismo e para a sociedade).

Afixado por: lasantos em fevereiro 1, 2006 12:40 PM