Caro Luís,
És capaz de me mostrar (um link serve) uma melhor foto de primeira (com actualidade) do que esta que o Público escolheu? Conheces tu, porventura, a produção das agências noticiosas desse dia? O que é que tu sabes sobre as fotos dos fotógrafos do Público tiradas no dia?
Todos os outros temas de capa de sexta não têm foto que sirva ao Público, infelizmente: Iraque, demos foto de primeira dois dias antes; Europeu de sub-21: sem foto; Bebé maltratada: nem pensar; Facada no coração: ainda menos; Exame de português: sem foto. O King Kong é realmente um filme de excepção e o trabalho do Y desse dia bem merecia o destaque. Aliás, não é a primeira vez que fazemos primeira com a estreia de um filme de que toda a gente fala...
A foto de primeira no Público não pode ser uma qualquer e tem de respeitar uma série de critérios estéticos, jornalísticos e de actualidade. Não se pode escolher para tema da foto de primeira um acontecimento com uma foto de merda, como deves perceber. A foto de primeira no Público é sempre a melhor possível com a actualidade do dia. Só isso.
António,
Como será bom de ver eu não sei nada sobre as fotos das agência do dia e não sei nada sobre as imagens captadas pelos repórteres fotográficos do Público no dia anterior.
Nunca se terá podido presumir isso do que escrevi.
O que eu sei - e só disso falo neste espaço de publicação pessoal - é o que vejo. E o que vejo é um jornal diário sério destacar visualmente na sua primeira página um filme de puro entretenimento. Que isso se faça num suplemento da especialidade faz todo o sentido. Que isso aconteça na primeira página do caderno informativo parece-me muito mais difícil de defender. Sendo que - como disse - o referido produto comercial não tem qualquer ligação à actualidade informativa nem qualquer nota de polémica.
Não é verdade que o filme seja uma coisa de que toda a gente fala. O filme é apenas o blockbuster do Natal, com toda a promoção exacerbada (e profissionalmente cuidada) que isso envolve.
O argumento contra o uso de uma foto assinalando as eleições no Iraque também não colhe. O Público escolheu destacar o assunto três (e não dois) dias antes e se tomarmos por referência o caso do Katrina a repetição não parece ser um impedimento consistente.
Em suma, António, percebo o incómodo. Mas falo apenas do que observo.
"Incómodo"? Sinceramente, não percebo onde queres chegar ou o que é que estás a insinuar. Fico por aqui.
Feliz Natal e Bom Ano Novo.
Afixado por: António Granado em dezembro 18, 2005 10:55 PMEsclareço o 'incómodo': o meu post questiona uma decisão editorial.
Afixado por: lsantos em dezembro 18, 2005 11:28 PM