dezembro 06, 2005

as últimas rotativas

Há dias, num almoço com jornalistas amigos, falávamos com nostalgia da imagem (visual, sonora e olfactiva) que guardamos da velha rotativa do Jornal de Notícias. É uma nostalgia saudável, natural. A memória ajuda-nos a sentir os novos lugares de forma diferente. Com mais confiança, talvez.
Vem isto a propósito de um post (que recomendo) de Jeff Jarvis, intitulado "as últimas rotativas".
Nele se descreve uma visita a Londres, a convite do Guardian, e se apresenta aquela organização como um exemplo de abertura a um novo posicionamento. Alan Rusbridger, jornalista e administrador do Guardian Media Group terá dito a Jarvis: "esta (a nova rotativa, que custou milhões de libras) talvez seja a última que compramos".
Rusbridger anda no jornalismo impresso desde 1976. E conhece o cheiro das tintas, o barulho da maquinaria e a imagem sempre surpreendente de uma estrutura monstruosa de onde saem jornais impressos, dobradinhos. E - digo eu - é possivelmente porque conhece tão bem este mundo que sabe estar na altura de o mudar de sítio.
O post de Jarvis é optimista; que se percam as rotativas, mas que se pense nisto como uma oportunidade:
"It’s not about saving anything. Instead, this is about seizing the opportunity of the internet and whatever that brings (...) From a business perspective, we need to stop whining about readers moving online. If that’s what they want to do, then go with them, damnit!".

Publicado por lasantos em dezembro 6, 2005 02:52 PM | TrackBack
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