Há dias, num almoço com jornalistas amigos, falávamos com nostalgia da imagem (visual, sonora e olfactiva) que guardamos da velha rotativa do Jornal de Notícias. É uma nostalgia saudável, natural. A memória ajuda-nos a sentir os novos lugares de forma diferente. Com mais confiança, talvez.
Vem isto a propósito de um post (que recomendo) de Jeff Jarvis, intitulado "as últimas rotativas".
Nele se descreve uma visita a Londres, a convite do Guardian, e se apresenta aquela organização como um exemplo de abertura a um novo posicionamento. Alan Rusbridger, jornalista e administrador do Guardian Media Group terá dito a Jarvis: "esta (a nova rotativa, que custou milhões de libras) talvez seja a última que compramos".
Rusbridger anda no jornalismo impresso desde 1976. E conhece o cheiro das tintas, o barulho da maquinaria e a imagem sempre surpreendente de uma estrutura monstruosa de onde saem jornais impressos, dobradinhos. E - digo eu - é possivelmente porque conhece tão bem este mundo que sabe estar na altura de o mudar de sítio.
O post de Jarvis é optimista; que se percam as rotativas, mas que se pense nisto como uma oportunidade:
"It’s not about saving anything. Instead, this is about seizing the opportunity of the internet and whatever that brings (...) From a business perspective, we need to stop whining about readers moving online. If that’s what they want to do, then go with them, damnit!".