fevereiro 12, 2005

O expresso também «ouviu dizer»

Há dias, a propósito do pedido de desculpas do Público, escrevi que parte substancial do chamado "jornalismo político" português parecia reger-se por regras que não as do jornalismo.
A notícia principal do semanário Expresso de hoje aí está, plena de certezas nas 'gordas' - "Armadilha a Cavaco" e "Santanistas queriam obrigar ex-líder a tomar posição" - e plena de buracos ocos (alguns deles já no prudente condicional!) no texto que lhes dá suporte - "terá tido origem na 'entourage'", "tudo terá começado".
O texto não tem um único suporte identificável e, à semelhança do que já havia feito o Público, apoia-se em 'convicções' (palavra usada com frequência) das tais "pessoas próximas". Aliás (pedindo antecipadamente desculpa pela utilização de palavra menos própria), o que o Expresso faz é uma "cavalgada" em cima da construção fumacenta do Público.
Não é que o Expresso tenha agora feito um desvio de rumo. É certo que há aqui muita coerência com um estilo que tem caracterizado parte substancial das suas notícias de manchete nos últimos anos do consulado de Saraiva e Lima. Mas isto tem apenas uma semelhança de forma com o jornalismo informativo. E importará dizê-lo, nem que seja só de vez em quando.

Publicado por lasantos em fevereiro 12, 2005 05:37 PM
Comentários

Pena que não se oiça tantas vezes o que dizes, e da forma como dizes.

Afixado por: Luis Ene em fevereiro 14, 2005 11:09 AM