No meu último post escrevi que Pedro Fonseca tinha, deliberadamente, acabado com uma conversa que poderia ter sido muito pertinente sobre o acompanhamento da actividade jornalística por parte dos cidadãos.
Uma vez que o assunto avançou - e, espero eu, tem agora um caminho mais proveitoso a percorrer - creio ser importante deixar aqui três notas:
1 - Num tom mais sereno e mais fundamentado (que não sem a sua ocasional e desnecessária 'farpa') foi possível perceber o argumento central do autor do "ContraFactos";
2 - Esta discussão ocorre, por ora, num ambiente corporativo - jornalistas falam sobre jornalistas (dois deles afastaram-se do excercício diário);
3 - A uma distância já razoável dos primeiros posts, creio que será de bom tom admitir aqui algum excesso na articulação do meu primeiro texto sobre o assunto. Mesmo que continue a pensar que é inaceitável confundir uma proposta de discussão com o início de um concurso de berros, acho que não adiantará muito repisar o que ficou para trás, até porque no seu mais recente post Pedro Fonseca me acusa de coisas que não fiz a propósito de coisas que eu terei dito que o Pedro fez, disse ou pensou. Ou seja, não sairiamos disto nunca. Quem quiser perder algum tempo, pode ler os nossos posts sobre o assunto e formar uma opinião - assim é bem mais honesto.
O que realmente importa:
Parece-me que o Pedro Fonseca está genuinamente preocupado com uma tendência que pensa ser generalizada para a vigilância avulsa, não substanciada e, sobretudo, não escrutinada.
Parece-me, também, que neste contexto não aceita que, numa observação "um-a-um", qualquer cidadão decida avaliar o desempenho profissional de um jornalista.
No primeiro ponto, partilho a preocupação. Penso, no entanto, que se trata de um tema muito mais abrangente, que envolverá uma discussão sobre o viver social que queremos e que aceitamos.
No segundo ponto, continuo a discordar. Discordo da ideia de que a actividade profissional deve ser entendida como um exercício privado e, portanto, não sujeito a observação (seja de grupo, seja individual).
Continuo a pensar que não devemos confundir a privacidade que deve ter um jornalista na sua vida não profissional com a privacidade que não pode exigir ter num exercício tão exposto (e por isso socialmente tão influente; e por isso tão desgastante; e por isso, talvez, tão interessante).
A ausência de exposição significativa, no passado, resulta, fundamentalmente, de um enquadramento tecnológico não favorável à participação e de níveis de literacia da população mais baixos.
Mas não podemos continuar a pensar e / ou a defender que o exercício da profissão continue a ser desenvolvido neste cenário (o mesmo, naturalmente, se poderá dizer dos advogados, dos juízes, dos médicos, dos políticos).