Chamo a atenção para a entrevista que Manuel Pinto, principal animador do Jornalismo e Comunicação e actual provedor do leitor do Jornal de Notícias, dá ao Notícias Lusófonas.
Alguns excertos:
Sobre os 'produtores de conteúdos' - "Reduzir o jornalismo a conteúdos indiferenciados, em que se coloca ao mesmo nível uma notícia de interesse público e uma publicidade redigida, por exemplo, é estourar com o jornalismo e reduzir o profissional a um técnico de informação, a um amanuense".
Sobre a concentração - "Penso que existe, cada vez mais, nesta profissão, um fosso entre uma elite que sobrevive e encontra em qualquer caso o seu lugar ao sol e a maioria dos profissionais, em situação periclitante, exercendo com base num estatuto e horizonte temporal incertos, ganhando mal e estando sujeita a inúmeras contingências e dependências. As consequências deste processo de precarização podem ser, a prazo, catastróficas para o jornalismo: redacções sem memória e sem identidade, impossibilidade de especialização em determinadas áreas da via pública, reduzido espaço para a investigação jornalística e, mais latamente, a tendência para um jornalismo anódino, inofensivo, domesticado. Ou seja, tudo menos jornalismo".
Sobre o ensino do jornalismo - "É virtualmente impossível replicar uma redacção na universidade, com os seus constrangimentos e potencialidades, com as suas hierarquias e recursos, com os seus deadlines, etc. Pode-se fazer laboratórios, mas a verdadeira aprendizagem do saber fazer ocorre nos contextos reais de trabalho. A mais-valia de uma consistente formação de nível superior advém do desenvolvimento das capacidades de compreender, de se adaptar a novos contextos e ferramentas, de desenvolver o sentido da notícia… ".