Sensivelmente um ano depois de ter escrito, no Público, um artigo importante para o desenvolvimento da blogosfera nacional, Pacheco Pereira retoma hoje, no mesmo sítio, o tema.
O texto é informado, pertinente e - à semelhança do anterior - indubitavelmente referencial para qualquer análise do fenómeno em Portugal. Mas o texto denota, também, a reincidência do autor do Abrupto numa fixação antiga - 'os jornalistas'.
É curioso notar que, a dado passo da conversa, PP fala-nos da pequena elite ("a gente certa") que acede e participa diariamente na blogosfera e nela integra os malfadados jornalistas. Ou melhor, nela - que numa apreciação global considera ser (concordo plenamente!) um espaço incontornável - integra um grupo de jornalistas "jovens e no início de carreira".
Curiosamente, a seguir, lá nos aponta exemplos de como o jornalismo nacional é, em muitas instâncias, desconfiado e sobranceiro relativamente aos blogs. O tal jornalismo (que facilmente passa a ser "os Media") é muito pouco sensível à crítica, quando não arrogante e muito pouco aberto ao "escrutínio das suas práticas profissionais".
É como se nos dissesse duas coisas de uma vez só - os males têm um rosto e esse rosto tem feições marcadas pela passagem do tempo e, sem dúvida, pelos inúmeros vícios adquiridos.
As obsessões têm destas coisas. Levam qualquer um - mesmo os mais articulados e inteligentes - a misturar, naturalmente com intencionalidade, alhos com bugalhos e a fazer análises sem cuidados de rigor que considerariam indispensáveis noutra qualquer situação.
Pacheco Pereira saberá melhor do que ninguém que:
- os "Media" não são o Jornalismo;
- os "Media" nacionais seguem uma tendência internacional no sentido da optimização da gestão - o que significa contratar profissionais com vínculo precário, mal pagos, para executar todo o tipo de tarefas;
- profissão liberal mais escrutinada não deve haver e, sobretudo, com uma tão débil 'consciência de grupo' e com uma tão grande vulnerabilidade no mercado de trabalho;
- os "novos" jornalistas não são, no essencial, muito diferentes dos outros. São pessoas inquietas, curiosas, atentas e - na sua maioria - conscientes dos efeitos do seu trabalho e das implicações que podem resultar do seu silêncio.
Mas se ele - estou certo - sabe tudo isto e muito mais, porque será que insiste? Não será, por certo, por falta de atenção mediática às suas epístolas (ditas, escritas ou 'postadas'). Ou será, precisamente, porque se apercebeu da facilidade com que algumas pessoas conseguem aceder ao espaço público sem nunca mais largarem o assento?
Tenho muitas dúvidas.
É defeito de jornalista - isto não me sai do corpo.
Pois. O sr. Pacheco tem destas coisas que não dão para entender muito bem...
Afixado por: Jornablogar em setembro 16, 2004 11:29 PM