julho 16, 2004

ser patriota

Tenho uma relação complicada com as posturas do Miguel Sousa Tavares. Reconheço-lhe talento, uma invulgar capacidade para argumentar e um sentido de oportunidade na escolha dos temas e das palavras correctas para os descrever/apresentar. Mas percebo também, em muitas situações, precipitação, falta de informação e alguma arrogância. Ou seja, exagero não fundamentado.
Feita esta 'declaração de interesses' prévia, confesso que senti esta manhã uma grande empatia relativamente a algo que escreveu, no Público, a propósito do momento político que atravessamos.
Um excerto:
"Nestas coisas do amor à pátria tenho uma noção um bocado antiquada e simplista: acho que o amor à pátria consiste em estar disposto a servi-la em caso de necessidade sem perguntar primeiro "quanto?", em declarar tudo o que se ganha ao fisco, em votar nas eleições, nem que seja em branco, em defender, por palavras e actos concretos, o seu património histórico, natural e cultural. A onda de histeria patriótica que invadiu o país a propósito do Euro deixou-me meio perplexo, como no dia 26 de Abril de 1974, ao descobrir, igualmente nas ruas, que, afinal, todo o país era composto de resistentes à ditadura. O patriotismo das emoções e das multidões é certamente mais fácil do que o patriotismo dos deveres serenamente cumpridos. Até porque o primeiro dura o espaço de um acontecimento e o segundo a vida toda".
O resto está aqui.

Publicado por lasantos em julho 16, 2004 01:15 PM
Comentários

É curioso. Hoje peguei numas sandes e fui almoçar a Cacilhas, sentado no cais à beira rio a apanhar a brisa do Tejo e a vista da bela Lisboa na outra banda, sede do nosso triste poder e do nosso triste país. Peguei no Público e li essa crónica. Senti exactamente o mesmo. Empatia com o autor. Senti-me triste pela razão que ele tem.

Afixado por: JPC em julho 16, 2004 05:01 PM

tenho a mesma opinião acerca do MST. Enquanto colunista consegue ser contundente, agressivo, assertivo, acutilante e quase sempre coerente. Tem uma capacidade inegável e talvez invulgar para demonstrar os seus pontos de vista de forma a que toda a gente os compreenda, embora umas vezes se precipite e outras deixe a emoção toldar-lhe a razão (passe-se o quase guterrismo!).

Enquanto escritor, a conversa é outra. O "Equador" não me convenceu.

De qualquer das maneiras é sempre uma boa razão para comprar o Público à sexta-feira.

Afixado por: miguelcoutinho em julho 17, 2004 04:18 AM