O Adelino Gomes escreveu, no Público de domingo, um texto muito pertinente sobre o jornalismo que se fez, por cá, durante o Euro 2004.
Digo pertinente, sobretudo, porque pode lançar um necessário debate sobre as exigências diferenciadas que - muitas vezes sem que disso demos conta - fazemos ao jornalismo, consoante a sua área.
Seria, de facto, aceitável para uma audiência encontrar, numa campanha eleitoral, um jornalista envolto numa bandeira do partido X ou Y?
Seria, igualmente, aceitável numa qualquer outra conferência de imprensa, irromperem em aplausos os jornalistas à entrada do político / do artista de cinema / do cantor?
Muitos dos que já foram e/ou ainda são jornalistas sentiram, certamente, em momentos especiais, uma dificuldade muito grande em manter-se distantes (que não alheados) das situações em que trabalham.
A maioria consegue. E consegue muitas vezes, sentido-se, a cada uma delas, mais distante (na percepção do seu ofício) dos que, ocasionalmente lá sucumbem à tentação de oferecer um prenda a um político que "os levou" numa viagem oficial ou - para citar um exemplo mais recente - uma camisola autografada ao seleccionador nacional.
Porque será, então, que leitores, ouvintes e telespectadores parecem exigir menos de quem trabalha com as questões desportivas?
E porque será que os jornalistas sentem tanta necessidade de mostrar tão aberta identificação com os objectos do seu trabalho?
Haverá, então, diferentes jornalismos, com regras diferentes (para quem informa, para quem dá informações e para quem as lê, ouve, ou vê)?
O problema está longe de ser um exclusivo nacional e a forma como, noutros ambientes e noutras culturas se lida com ele talvez até nos possa ajudar a melhor perceber o que por cá se passa.
Agradeço ao sempre atento Ponto Media a referência inicial e noto que este mesmo tema tem vindo a ser mencionado, com regularidade, no Blogouve-se.